domingo, 28 de maio de 2017

Diocese de Guarabira ordena 5 novos Diácono

A Diocese de Guarabira ordenou na noite desta sexta-feira pela imposição das mãos e oração consecratória do arcebispo da Paraíba Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz os seguintes seminaristas  Daniel de Lima Andrade, Everson Danilo de Vasconcelos Santos, Jonathan Magaywer Barbosa de Lima, Júnior Bezerra dos Santos, Raul Rodrigues da Costa Neto.
“O Sacramento da Ordem: o diaconato” Após a recepção dos Sacramentos de Iniciação (Batismo, Crisma e Eucaristia), que “são a base da vocação comum de todos os discípulos de Cristo, vocação à santidade e à missão de evangelização no mundo” (cf. CIC nº 1533), dois outros Sacramentos “conferem uma missão particular na Igreja e servem para a edificação do Povo de Deus” (cf. CIC nº 1534). Estes Sacramentos são a Ordem e o Matrimônio. O Sacramento da Ordem, ainda, comporta três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconato. Vejamos algo do primeiro grau da Ordem. O diácono na Sagrada Escritura O termo “diácono” aparece no Novo Testamento com quatro significados. O primeiro é aquele da linguagem comum: “aquele que serve alguém” (Mc 9,35; Jo 2,5). O segundo é a apresentação de Cristo como servo do Pai (Mc 10,45; Lc 22,27). O terceiro está ligado a todos os cristãos, visto que eles são servos de Cristo e de seu Pai (Jo 12,26; ICor 3,5). O quarto sentido está ligado a um determinado cargo e função na Igreja Primitiva (Fl 1,1; ITm 3,8). Este último significado é aquele que corresponde a origem da ordem do diaconato. De fato, é no Livro dos Atos dos Apóstolos que São Lucas nos narra os motivos da instituição do ministério dos diáconos. Na passagem de At 6,1-7, nos conta que os doze apóstolos escolheram sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria para se dedicarem a administração e ao serviço da caridade enquanto eles se dedicariam a oração e a pregação da Palavra. Apesar de não figurar a palavra “diácono” neste relato, aparece o nome dos sete primeiros (Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau) e, mais tarde, o texto os apresenta pregando a Palavra e batizando (At 6,8-14; 8,5-13). Deve se notar, ainda, a imposição das mãos, acompanhada da oração, realizada pelos Apóstolos sobre os sete escolhidos para o serviço (At 6,6). Ordenados para o serviço Seguindo a prática das primeiras comunidades cristãs, testemunhada na Sagrada Escritura e conservada na Tradição, a Igreja continua escolhendo homens que possam exercer um ministério de serviço. Para isto, o rito essencial da ordenação diaconal é a imposição das mãos e a oração realizada pelo Bispo. Esta oração pede a Deus Pai que consagre o ordenando como diácono e que envie sobre ele os dons do Espírito Santo para que ele possa exercer com fidelidade o ministério de serviço. Nela se apresenta o que se espera de um diácono: amor sincero, solicitude para com os pobres e os enfermos, autoridade discreta, simplicidade de coração e uma vida segundo o Espírito Santo. A Ordem confere ao diácono um sinal que não pode ser apagado, pois o configura ao Cristo servidor de todos. Por conseguinte, o diácono se torna um “imitador” da vida do Senhor, prolongando no mundo o serviço iniciado por Ele. O candidato não é ordenado para o sacerdócio, mas para o serviço. Este está especificado na Constituição Dogmática Lumen Gentium, no nº 29, da seguinte forma: “administrar o Batismo solene, conservar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar em nome da Igreja aos Matrimônios, levar o viático aos moribundos, ler a Sagrada Escritura aos fiéis, instruir e exortar o Povo, presidir ao culto e as orações dos fiéis, administrar os sacramentos e presidir aos ritos dos funerais e da sepultura”. E, ainda, de maneira sintética, o mesmo texto diz: “servem o Povo de Deus na diaconia da Liturgia, da Palavra e da Caridade”. Diáconos transitórios e permanentes O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium nº 29, coloca para a Igreja a recuperação do diaconato permanente. Neste ficarão os homens que se sentem chamados a desempenhar a função de serviço proposta ao ministério diaconal. Podem ser admitidos homens casados e solteiros – sendo que estes últimos viverão o celibato. Cresce cada vez mais a consciência da Igreja sobre a Ordem dos diáconos e de suas funções na edificação do Corpo de Cristo. Os diáconos transitórios são aqueles que recebem o primeiro grau da ordem em função de receberem o segundo: o presbiterado. Neste caso, apenas os homens solteiros e dispostos a viverem o celibato podem ser aceitos. Possuem a mesma dignidade e funções dos diáconos permanentes, mas se preparam para exercer uma futura função sacerdotal.
Confira as Fotos:







Fonte: Diocese de Guarabira

quarta-feira, 1 de março de 2017

A Quaresma e o jejum, a esmola e a oração

Descubra o significado e a importância das práticas do jejum, da esmola e da oração no tempo quaresmal.
Descubra o significado e a importância das práticas do jejum, da esmola e da oração no tempo quaresmal.
Foto: Wesley Almeida – cancaonova.com
Nesta Quaresma, somos chamados por Jesus Cristo a viver o jejum, a esmola e a oração, com coerência e autenticidade, para vencermos o egoísmo e a hipocrisia. Que esta Quaresma seja para nós um tempo de afastamento do pecado e do mundo, mas também de aproximação de Deus e dos irmãos. Não pensemos que tudo vai bem se estamos bem. Precisamos entender que o que conta não é a aprovação dos homens, a busca pelo sucesso em nossos empreendimentos, mas a pureza de nosso coração e a nossa comunhão com Deus. Dessa forma, reencontraremos a verdadeira identidade cristã, ou seja, “o amor que serve, não o egoísmo que se serve”[1]. Pois, o próprio Filho de Deus não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela salvação de muitos (cf. Mc 10, 45).
Neste início do tempo quaresmal, caminhemos juntos, como Igreja, e recebamos as cinzas, recordando que também nós retornaremos às cinzas (cf. Gn 3, 19). Neste caminho espiritual, mantenhamos nosso olhar fixo no Crucificado. Pois, Jesus Cristo nos ama e nos convida a deixarmo-nos reconciliar com Deus (cf. 2 Cor 5,20), a nos voltar para Ele de todo coração, para assim nos encontrar com nossos irmãos.

O jejum como cura para as desordens do pecado
As Sagradas Escrituras e a Tradição da Igreja ensinam que o jejum é um auxílio extraordinário para evitarmos o pecado e tudo o que nos conduz a ele. Por isso, na história da salvação, somos frequentemente convidados a jejuar. Nas primeiras páginas do Antigo Testamento já temos a ordem do Senhor para que o gênero humano se abstenha de comer o fruto proibido: “Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás” (Gn 2, 16-17). Comentando esta ordem de Deus, São Basílio observa que “o jejum foi ordenado no Paraíso”, e que “o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão”[2]. Dessa forma, o Senhor nos deu a lei do jejum e da abstinência.
Tendo em vista que todos nós estamos entorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum nos é oferecido como um meio para restabelecer a nossa amizade com Deus. Isto fez Esdras, antes da viagem de volta do exílio da Babilônia para Jerusalém, convidando o povo reunido a jejuar “para nos humilhar diante do nosso Deus” (Esd 8, 21). Deus Todo-Poderoso ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua proteção ao Povo de Israel. O mesmo fizeram os habitantes de Nínive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram um jejum a todos os habitantes da cidade: “Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?” (Jn 3, 9). Como o Povo de Israel, Deus também viu que os habitantes de Nínive arrependeram-se de seus maus caminhos e os poupou do castigo iminente.
A oração e a nossa amizade com Deus
São Pedro Crisólogo ensina que “o jejum é a alma da oração”[3]. Sendo assim, o jejum quaresmal certamente favorecerá de modo muito particular a nossa vida de oração. Pois, se o jejum nos afasta do pecado e nos ajuda a restabelecer nossa amizade com Deus, a oração nos ajuda a aprofundar essa amizade. Sendo assim, nesta Quaresma temos uma oportunidade extraordinária de nos aproximar de Deus, de nos dirigir a Ele em súplica pela humanidade, que caminha na direção oposta.
Quando nos alimentamos espiritualmente com uma contínua oração, demonstramos efetivamente a primazia de Deus em nossa existência. Além disso, a oração exige que sejamos humildes, que reconheçamos que não somos autossuficientes, mas que necessitamos do Senhor por toda a vida, especialmente neste tempo quaresmal.
Como expressão dessa dependência de Deus, podemos rezar de vários modos nesta Quaresma. Em primeiro lugar, a Liturgia da Santa Missa é a oração por excelência. Nela, oferecemos a Deus a adoração, a ação de graças, a reparação pelos pecados e a súplica ou oração de petição, o sacrifício que o próprio Cristo ofereceu ao Pai por nós definitivamente no altar da Cruz. A adoração ao Santíssimo Sacramento deve ocupar também um lugar importante em nossa vida de oração. Quanto mais participamos da Santa Missa e nos colocamos em adoração ao Santíssimo, mais aprofundamos a nossa oração pessoal ou oração de intimidade. Na meditação pessoal, os livros espirituais e as Sagradas Escrituras são muito recomendáveis. Por fim, nesta Quaresma, indicamos também a oração do Terço ou Rosário mariano, especialmente com a meditação dos mistérios dolorosos.
A íntima ligação entre as três obras quaresmais
São Pedro Crisólogo ensina que “o jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica”[4]. Sendo assim, se o jejum favorece oração e nos conduz a ela, a oração, por sua vez, leva-nos ao desapego dos bens materiais e à generosidade para com o próximo, especialmente os mais necessitados.
Portanto, compreendemos que as três obras quaresmais: o jejum, a oração e a esmola, estão intimamente ligadas entre si. Por isso, se queremos viver bem este tempo da Quaresma, precisamos praticar essas três obras, que nos conduzem respectivamente a abandonar os nossos pecados e a nos aproximar de Deus e de nossos irmãos.
Neste Ano Nacional Maria, peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a viver este tempo da Quaresma não como mais um em nossas vidas, mas como aquele no qual rompemos radicalmente com o pecado e nos aproximamos de Deus a tal ponto de podermos dizer com São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Dessa forma, poderemos também dizer com o Apóstolo dos gentios: “Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos” (1 Cor 9, 22).

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017